Escutismo

1907 – 1º Acampamento Escutista, na Ilha de Brownsea. Os nomes das Patrulhas eram: Corvo, Touro, Maçarico-Real e Lobo.

1908 – Primeira concentração de 11000 Escuteiros no Crystal Palace em Londres.

1910 – A instâncias do Rei Eduardo VII, Baden-Powell (BP) deixa o Exército para se dedicar inteiramente ao Escutismo.

1911 – Dão-se os primeiros passos do Escutismo em Portugal.

1912 – Funda-se em Lisboa a Associação de Escoteiros de Portugal (AEP).

1916 – Início oficial do Lobitismo. Aparece o livro Manual do Lobito.

1918 – Início Oficial do Caminheirismo.

1919 – Abertura do Campo Escola Internacional de Dirigentes, em Gilwell Park.

1920 – 1º Jamboree Mundial em Olímpia, Londres. Neste Jamboree BP foi aclamado Chefe Escuta Mundial.

1923 – Fundação do Corpo Nacional de Escutas (CNE) a 27 de Maio em Braga pelo Arcebispo de Braga D. Manuel Vieira de Matos.

1925 – O Movimento estende-se de Norte a Sul de Portugal e, como meio de informação entre todas as Unidades apareceu em Fevereiro de 1925 o 1.° número do jornal “Flor de Lis” que mais tarde, em Janeiro de 1945, se apresentava em forma de Revista.

1926 – Intensa actividade e projecção para o CNE: foram criadas e aprovadas as Juntas Regionais de Portalegre, Açores, Coimbra, Lisboa e Núcleo do Porto, que vieram juntar-se à de Leiria, criada no ano anterior. Realizado o 1.° Acampamento Nacional que em Agosto desse ano se realizou em Aljubarrota, durante o qual foi entronizada na capela de São Jorge a imagem do Beato Nuno, transportada para ali num impressionante cortejo de mais de 10.000 pessoas.

1929 – BP recebe o título de Lord Baden-Powell of Gilwell. Nesse ano visita Portugal pela primeira vez.

1934 – O Conselho Nacional substitui o termo de “Director” por Assistente e “Inspector” por Secretário (Nacional).

1936 – Ano difícil para o CNE! A Organização Escutista de Portugal é extinta e o CNE volta a regular-se pelo Decreto n.° 10589, de 14 de Fevereiro de 1925. A situação é crítica porque a oficialização dos movimentos juvenis por parte da Igreja e do Estado deixaram o escutismo como que ao abandono, mas a coragem, dedicação e espírito escuta de um bom punhado de Dirigentes afastaram o perigo e evitaram o naufrágio, e assim, em Agosto desse ano, já se realizava em Leiria o 6.° Acampamento Nacional.

1941 – Morte de BP, no Quénia (8 de Janeiro).

1950 – Aprovação de novos Estatutos e publica-se novo Regulamento Geral. Aliás, estas duas décadas que se vão seguir (50/60) parecem ter dado origem a uma pequena “revolução” após as vicissitudes atrás referidas.

1950 – A Junta Central transfere-se para Lisboa e nos anos seguintes vários dirigentes deslocam-se ao estrangeiro (nomeadamente a Gilwell Park, em Londres) para frequentarem Cursos de Formação de Dirigentes.

1957 – Ano Jubilar – Centenário do Nascimento de BP, Cinquentenário do Escutismo e realização do 9º Jamboree Mundial.

1908 – Publicação do livro “Escutismo Para Rapazes”.

1961 – António Florival de Assunção Boto, Carlos Moreira (eram na altura Caminheiros) e o Padre Miguel Corradini, iniciaram o nosso agrupamento no mesmo local que ainda hoje existe. Surgiu assim a Sede dos Escuteiros da Patrulha “ISOLADA ÁGUIA” do CNE.

1963 – Inauguração, em Fraião, de um Campo-Escola permanente para incrementar as possibilidades de Formação de Dirigentes.

1966 – 1° Encontro Nacional de Dirigentes em Fátima.

1969 – Primeiras promessas das três Secções (Lobitos, Exploradores e Caminheiros) que compunham o Agrupamento a 19 Novembro.

1974 – Após a Revolução de Abril de 1974, a Junta Central considera-se demissionária e o Conselho Nacional nomeia uma Comissão Executiva que passa a gerir a Associação. Este processo conduz à aprovação dos novos Estatutos, em 9 de Março de 1975, em consequência dos quais é empossada a 1.ª Junta Central eleita por sufrágio directo tendo como Chefe Nacional Manuel António Velez da Costa, qual viria a ser reconduzido no cargo em 1980, igualmente através de eleições nacionais.

1975 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial 14º Jamboree (“Nordjamb’75”) junto ao Lago Mjosa, em Lillehammer, onde se juntaram 17259 participantes de 91 países.

1975 – 15º Aniversario do Agrupamento 342 de Vialonga celebrado com a realização do Rally de Trotinetas e Carros de Madeira.

1976 – Uma conclusão do Conselho Nacional admite, com condições, a admissão de jovens de sexo feminino para as várias secções, altura que é considerada por alguns sectores da associação como o lançamento da coeducação no CNE.

1979 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa pela primeira vez no JOTA (22º Jamboree no Ar) com a colaboração do rádio amador CT1DL Gonçalves.

1980 – Em Ermesinde, o Conselho Nacional reúne extraordinariamente para lançar um novo Sistema de Formação de Dirigentes.

1980 – Uma representação dos Comités Mundial e Europeu deslocam-se a Portugal, onde entregam ao CNE e à AEP, que recentemente haviam fundado e constituído a FEP (Federação Escutista de Portugal), o respectivo diploma.

1980 – Depois de em 1931, ano em que Baden Powell e Olave, os fundadores do Movimento, visitam a Madeira, terem sido dinamizadas as primeiras Companhias de Guias portuguesas, no continente e na Madeira, é em 1934 que os Estatutos da AGP são aprovados pelo Governo, e elege-se a primeira Comissária Nacional, Fernanda D’ Orey, e a Comissária Internacional, Miss Pope, Guia inglesa que muito ajudou na consolidação da AGP – Associação de Guias de Portugal.

1982 – Ano Mundial do Escuteiro.

1983 – O CNE é declarado Instituição de Utilidade Pública.

1996 – Apesar de, por diversas vezes, se terem verificado tentativas de estruturação da FNA a nível nacional, só em 1994, por impulso do Engenheiro D. Paulo de Lencastre, então Presidente do Conselho Nacional da FNA, se deu início a nova diligência no sentido de que a FNA tivesse uma estruturação a nível nacional e que, também, passasse a participar no convívio de outras “Fraternidades” existentes a nível nacional e de “além fronteiras”. A estruturação da FNA a nível nacional foi realizada com a aprovação dos Estatutos pela Conferência Episcopal Portuguesa em Assembleia Plenária em Novembro de 1996.

1997 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no JOTA (40º Jamboree no Ar) e no JOTI (1º Jamboree na Internet) assumindo a estação nacional em Vialonga.

1999 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial no Chile.

2003 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial na Tailândia.

2003 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no primeiro Roverway entitulado de “Roverway2003 – people in motion” (conhecido pelo «o maior evento europeu de jovens»). Este é um novo encontro para escuteiros entre os 16 e os 22 anos que decorre de 4 em 4 anos num dos países que compõem a Região Europeia do Escutismo; a primeira edição realizou-se em Portugal de 31 de Julho a 11 de Agosto. Há cerca de 30 milhões de Escuteiros em todo o mundo.

2007 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial em UK.

2007 – Centenário do Escutismo, 150º Aniversário do Nascimento de BP e realização em Londres do Jamboree Mundial do Centenário com a participação de mais de 40000 Escuteiros.

2011 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial na Suécia.

2011 – 50º Aniversario do Agrupamento 342 de Vialonga celebrado com uma exposição no salão nobre da Junta de Freguesia de Vialonga. O nosso agrupamento organizou também o dia de BP em Vialonga bem como o primeiro encontro de coleccionadores de objectos escutistas.

2015 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial no Japão.

2016 – 55º Aniversario do Agrupamento 342 de Vialonga celebrado com a renovação de imagem digital – informação mais fácil, mais próxima, mais apelativa, centralizada através da integração do site e blogs das secções e departamentos, e disponível via páginas web, Facebook, Feedburner e RSS.

2016 – Provando mais uma vez que até o impossível pode ser possível, que a vila de Vialonga e a sua periferia acolheram a primeira edição da atividade nacional UBUNTU organizada pelo Agrupamento 342.

2019 – O Agrupamento 342 de Vialonga participa no acampamento mundial no Japão.

Em 22 de Fevereiro de 1857 nasceu em Londres, Robert Stephenson Smith Baden-Powell, que mais tarde seria famoso como fundador do Escutismo. Sendo o quinto de sete irmãos, filho do Rev. Prof. Baden-Powell e Henriqueta Graça Smyth, Robert teve na companhia dos irmãos mais velhos uma infância muito divertida em Londres, que naquele tempo era muito diferente da grande cidade de hoje, pois ainda oferecia muita facilidade para actividades ao ar livre. Assim, desde menino, Baden-Powell aprendeu através de caminhadas e excursões a cuidar de si. Embora órfão de pai, sempre encontrou na mãe e nos seus irmãos o apoio necessário para tornar a sua infância muito feliz.

Baden-Powell fez os seus estudos em escolas públicas, onde era muito popular e querido por todos, colegas e professores. Nas férias, aproveitava para acampar com seus irmãos mais velhos. Quando terminou os estudos secundários, Baden-Powell ingressou no exército.

 

Como oficial, viajou muito, conhecendo grande parte do mundo. Durante as suas viagens conheceu tribos de guerreiros da África, os vaqueiros americanos e conviveu com os índios da América e do Canadá. Graças à suacompetência, honestidade e exemplo como líder de homens, Baden-Powell, fez uma carreira militar brilhante.

Podemos citar como exemplo a Guerra do Transvaal em 1889, onde comandou a guarnição de Mafeking, importante entroncamento ferroviário, cuja posse era de grande valor estratégico. A cidade foi duramente atacada, durante 217 dias, pelas forças inimigas, entre os anos de 1899 e 1900. Como havia poucos soldados regulares em Mafeking, Baden-Powell treinou os cidadãos capazes de empunhar uma arma e para isso teve que organizar um grupo de jovens cadetes, os adolescentes da cidade, que desempenhavam todas as tarefas de apoio, tais como: cozinha, comunicações, primeiros socorros, etc. Graças a esses recursos, à inteligência e coragem de seu comandante, foi possível a cidade resistir a forças muito superiores, até que chegassem reforços.

A maneira como os jovens desempenharam suas tarefas, os seus exemplos de dedicação, lealdade, coragem e responsabilidade, causaram grande impressão em Baden-Powell e, anos mais tarde, aquele acontecimento teve grande influência na criação do Escutismo.

Graças aos seus feitos na vida militar, Baden-Powell tornou-se um herói no seu país. Durante uma viagem a Inglaterra, Baden-Powell viu alguns rapazes criarem brincadeiras através de um livro, que ele havia escrito para batedores do exército e que continha explicações sobre como acampar e sobreviver em regiões selvagens. Então, conversando com os amigos, ele entusiasmou-se e resolveu realizar, em 1907, na ilha de Brownsea, um acampamento com vinte rapazes dos 12 aos 16 anos, onde transmitiu conhecimentos técnicos tais como: primeiros socorros, observação, técnicas de segurança para a vida na cidade e na floresta, etc.

Devido aos bons resultados deste acampamento, Baden-Powell começou a escrever o livro “Escutismo para Rapazes” que, inicialmente, foi publicado em fascículos e vendido nas bancas de jornais, durante o ano de 1908. Os jovens ingleses entusiasmaram-se tanto com o livro que Baden-Powell organizou e fundou o Movimento Escutista.

Rapidamente o Escutismo alastrou-se por vários países do mundo. Em Portugal o Escutismo deu os primeiros passos ainda no território de Macau em 1911, tendo os seus impulsionadores regressado ao nosso país e fundado, em 1913, a Associação dos Escoteiros de Portugal. O Corpo Nacional de Escutas, Escutismo Católico Português, veio a ser fundado 10 anos mais tarde, em 27 de Maio de 1923, na cidade de Braga.

O Escutismo, nascido na Inglaterra, não respeitou fronteiras, alastrando-se por outros países, e, já em 1920, em Londres, reuniram-senum grande acampamento Escuteiros de várias nacionalidades. Foi neste primeiro acampamento mundial, denominado Jamboree, que 20.000 jovens aclamaram Baden-Powell como Chefe Mundial. Desde então, o crescimento do Escutismo foi grande e nem as duas guerras mundiais conseguiram enfraquecê-lo.

Depois de vários anos de dedicação ao Escutismo, viajando pelo mundo e fundando Associações Escutistas em vários países, Baden-Powell sentiu as suas forças escassearem. Retirou-se então para uma propriedade que possuía próximo da cidade de Nairobi, no Quénia. Ali, na companhia da esposa, dividiu o tempo entre pintura, a numerosa correspondência e as visitas de amigos. Faleceu na madrugada de 8 de Janeiro de 1941 enquanto dormia, deixando para nós, Escuteiros do mundo, não só uma enorme exemplo humano mas também uma Última Mensagem:

 

Caros escuteiros:

Se já vistes a peça Peter Pan, haveis de recordar-vos de como o chefe dos piratas estava sempre a fazer o seu discurso de despedida, porque receava que, quando lhe chegasse a hora de morrer, talvez não tivesse tempo para o fazer. Acontece-me coisa muito parecida e por isso, embora não esteja precisamente a morrer, morrerei qualquer dia e quero mandar-vos uma palavra de despedida.

Lembrai-vos de que é a última palavra que vos dirijo, por isso meditai-a.

Passei uma vida felicíssima e desejo que cada um de vós seja igualmente feliz.

Crei que Deus nos colocou neste mundo encantador para sermos felizes e apreciarmos a vida. A felicidade não vem da riqueza, nem simplesmente do êxito de uma carreira, nem dos prazeres. Um passo para a felicidade é serdes saudáveis e fortes enquanto sois rapazes, para poderdes ser úteis e gozar a vida quando fordes homens.

O estudo da natureza mostrar-vos-à as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso deleite. Contentai-vos com o que tendes e tirai dele o maior proveito que puderdes. Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.

Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem.

Estai preparados desta maneira para viver e morrer felizes – apegai-vos sempre à vossa promessa escutista – mesmo depois de já não serdes rapazes e Deus vos ajude a proceder assim.

O Vosso Amigo

O Corpo Nacional de Escutas é uma associação de educação não-formal, cuja finalidade é a educação integral de crianças e jovens de ambos os géneros, com base em voluntariado adulto, em conformidade com as finalidades, princípios e métodos concebidos pelo Fundador do Escutismo – Lord Baden-Powell of Gilwell – e vigentes na Organização Mundial do Movimento Escutista, e à luz do Evangelho de Jesus Cristo, segundo a doutrina da Igreja Católica Romana, que professa, assume e difunde.

O Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas é a totalidade daquilo que as crianças e os jovens fazem no Escutismo Católico Português [as actividades], como o fazem [o método] e a razão porque o fazem [a finalidade].

A Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas constitui a declaração das finalidades últimas da Associação, expressando a sua intenção educativa, com base na análise das necessidades e aspirações dos jovens num determinado tempo e num contexto sócio-cultural específico.

Neste âmbito, a intenção educativa do Corpo Nacional de Escutas, adequada ao tempo e à sociedade portuguesa presentes, está expressa na Proposta Educativa “Educamos. Para quê?”.

 

Educamos para quê?

Uma Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas O CNE ajuda jovens a crescer
…a procurar a sua própria Felicidade e a contribuir decisivamente para a dos outros.
…a descobrir e viver segundo os Valores do Homem Novo.

O CNE procura, através do Método Escutista, ajudar cada jovem a educar-se…
…para se tornar consciente do Ser;

  • uma pessoa responsável, autónoma e perseverante;justa, leal e honesta
  • uma pessoa criativa e ousada face aos desafios e que cultiva o espírito crítico de modo a distinguir o essencial
  • uma pessoa alegre, sensível e compreensiva, consciente de si própria, das suas limitações e potencialidades
  • uma pessoa solidária e fraterna, que promove o respeito e a tolerância na sua relação com os outros
  • uma pessoa que assume integralmente o seu compromisso cristão como opção de vida
  • uma pessoa que respeita o seu corpo como manifestação de vida e com ele se relaciona de forma equilibrada

…para se tornar detentor de Saber;

  • uma pessoa que reconhece as suas imperfeições e as procura superar de uma forma constante
  • uma pessoa que busca sempre mais e usa esses conhecimentos para fundamentar as suas decisões, expressando adequadamente as suas ideias
  • uma pessoa que valoriza as sua emoções e afetos, vivendo-os em equilíbrio
  • uma pessoa atenta ao Mundo, no qual identifica o seu papel, valorizando o trabalho em equipa
  • uma pessoa que procura aprofundar sempre o seu esclarecimento na Fé
  • uma pessoa que conhece as capacidades e limites do seu corpo, reconhecendo as ameaças ao mesmo

…para se tornar preparado para Agir;

  • uma pessoa que, comprometendo-se, age de acordo com as suas opções, respeitando os outros e o mundo
  • uma pessoa empreendedora, ativa no desenvolvimento de iniciativas e que cuida da sua própria formação
  • uma pessoa que cultiva amizades e que vive o amor de uma forma plena, dando disso testemunho em família
  • uma pessoa que assume o seu papel na comunidade, exercendo a cidadania de uma forma participativa e generosa
  • uma pessoa que evangeliza pelo testemunho e pela partilha, no respeito pelas convicções dos outros, contribuindo assim para a construção da paz
  • uma pessoa que, reconhecendo o seu corpo como meio para transformar o Mundo, cuida dele em harmonia com o ambiente

O CNE ajuda jovens a crescer…
…para que com o Ser, Saber e Agir se tornem homens e mulheres responsáveis e membros ativos de comunidades, na construção de um mundo melhor.

 

 Objetivos Educativos

 

Desenvolvimento Físico

Trilhos Educativos:

Desempenho [rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza física; conhecer os seus limites]

Auto-conhecimento [conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação]

Bem-estar físico [manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar comportamentos de risco]

 

Desenvolvimento Afetivo

Trilhos Educativos:

Relacionamento e sensibilidade [auto-expressão; intereducação; valorização dos laços familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético]

Equilíbrio emocional [saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; manter um estado interior de liberdade; maturidade]

Auto-estima [conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se]

 

Desenvolvimento do Carácter

Trilhos Educativos:

Autonomia [tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu quadro de referências]

Responsabilidade [ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom termo um projeto assumido]

Coerência [viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas ideias]

 

Desenvolvimento Espiritual

Trilhos Educativos:

Descoberta [disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do transcendente no específico cristão]

Aprofundamento [dar testemunho pelos atos do dia-a-dia; viver em comunidade; estar aberto ao diálogo inter-religioso]

Serviço [integração e participação ativa na Igreja; participar na construção de um mundo novo; evangelização]

 

Desenvolvimento Intelectual

Trilhos Educativos:

Procura do conhecimento [desejo do saber; procura e seleção de informação; iniciativa; auto-formação]

Resolução de problemas [capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e métodos; seleção de estratégias de resolução; análise crítica da solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações]

Criatividade e Expressão [apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso adequado]

 

Desenvolvimento Social

Trilhos Educativos:

Exercer ativamente cidadania [direitos e deveres; tolerância social; intervenção social]

Solidariedade e tolerância [serviço; interajuda; tolerância]

Interação e cooperação [assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos grupos de pertença]

Amigos, floresta e aventura – o movimento escutista possibilita experimentar a natureza e fazer novos amigos.

Estarás pronto para avançar?

Para iniciares o processo de inscrição é necessário:

  • Ler a informação abaixo;
  • Imprimir e preencher este ficheiro, e entregar em mão na nossa sede.
 

1. O Escutismo de Baden-Powell

Baden-Powell, cristão, dotou o escutismo de uma espiritualidade muito próxima da visão cristã do homem e do mundo. Isso permite que a fé e o Evangelho de Jesus Cristo sejam anunciados e vividos na vida escutas.

Para o fundador do escutismo “o homem de pouco vale se não acreditar em Deus e obedecer às suas leis. Por isso todo o escuteiro deve Ter a sua religião” (1). E a religião, segundo Baden-Powell, é uma coisa bem simples amar e servir a Deus, amar e servir o próximo (2).

Relativamente ao problema religioso, Baden-Powell, distingue dois aspetos fundamentais e diferentes, embora muito ligados: um deles é o espirito religioso e o outro é a prática religiosa. Em relação ao primeiro, estava convencido de que todo o homem tinha no mais íntimo da sua consciência esta “ligação”, esta necessidade de relação com a transcendência, com Deus. Defendia que todas as religiões deviam ser respeitadas e cada qual devia assumir a sua, como fator de equilíbrio, diríamos, nós hoje, fator de humanização. Em relação à prática religiosa, achava importante que se impulsionasse cada escuteiro à prática da sua respetiva religião, porque acreditava que nenhuma educação — e sobretudo a educação escutista — pode conceber-se sem a ajuda e a intervenção duma prática religiosa, já que ela representa para o jovem um apoio notável na tarefa do desenvolvimento.3

O escutismo nasce, pois, com um pendor a confessional, mas tem como aspeto fundamental a abertura a esta dimensão fundamental do ser humano, na “pista” da intuição genial e da espiritualidade do seu fundador, Baden-Powell. Seguindo esta inspiração, a Conferência Mundial do Escutismo resumiu as diretivas que guiam o Movimento Escutista no que respeita à religião, nos seguintes pontos fundamentais:

  1. Todo o Escuteiro deve pertencer a uma determinada religião e participar nos atos do seu culto.
  2. Quando os membros de uma Unidade pertençam todos a uma determinada religião, o seu chefe deve cuidar que se observem as práticas e os ensinamentos da mesma, tal como o determine o sacerdote ou a autoridade religiosa pertinente.
  3. Quando os membros de uma Unidade pertençam a confissões religiosas distintas, procurar-se-á que cada um deles frequente os cultos da respetiva Igreja, sem que, em tal caso, se realizem assembleias religiosas especiais e, nos acampamentos, a oração quotidiana e a função semanal deverão tomar a forma mais simples e participação nelas será voluntária.
  4. Quando os preceitos de uma religião impeçam um escuteiro de participar em outras cerimónias religiosas que não sejam as suas, os chefes deverão cuidar que esta particularidade seja tida em conta” (4).

 

2. O Escutismo Católico

O Corpo Nacional de Escutas é, desde a sua fundação, um Movimento confessional, fundado em 1923 com inspiração no Escutismo Católico que era já praticado em alguns países da Europa. Como é evidente, a opção da fé, e concretamente da Fé Católica, faz parte integrante da sua metodologia e da sua pedagogia (5). Na verdade é uma opção que vem contemplada na intuição do fundador, e que em nada a subestima ou contradiz. Dá-se, pois, o caso de, na adesão ao CNE, os jovens ou os pais conhecerem a sua orientação, ou de, pelo menos, a quererem assumir assim que tomem conhecimento dela. A Promessa dos escuteiros no CNE é feita pela própria honra e pela graça de Deus e tem como primeiro elemento o cumprimento dos deveres para com Deus e a Pátria, e o primeiro Principio do escutismo Católico é: “O Escuta orgulha-se da sua fé e por ela oriente toda a sua vida” (6). Pertencer a um Movimento que tem a fé como um dos suportes ou pilares da sua pedagogia, significa necessariamente que “esta opção de fé tem de ser conhecida, assumida e vivida dentro da família escutista” (7). Segundo a nova “Pedagogia do projeto”, qualquer atividade deve estar imbuída deste espírito. Assim, a “Grande caçada”, a “Aventura”, o “Empreendimento” e a “Caminhada”, além de deverem Ter em conta a pedagogia da fé desde a elaboração do projeto à sua realização e avaliação, devem também dar lugar à celebração e à festa que incluem a componente da fé” (8). Esta área, como o próprio nome indica, não é apenas um acrescento, nem muito menos uma instrução “teórica” afirma Baden-Powell: “A fé não é uma vestimenta externa que cada um põe para usar aos domingos. É uma parte importante do carácter do rapaz; um desenvolvimento da alma e não um revestimento para pôr ou tirar. E questão de intima convicção, não de instrução. Atualmente os atos de grande parte dos nossos rapazes são muito pouco guiados por uma convicção religiosa. Isto pode atribuir-se, em grande parte, ao facto de que com frequência se tem empregado a instrução em vez da educação, na formação religiosa do rapaz” (9). A tarefa da educação, da formação, da animação para o aprofundamento e a vivência da própria fé, pertence a todos, mas em primeiro lugar à equipa de animação de cada Secção ou Unidade em coordenação com a Direção do Agrupamento e em particular com o Assistente religioso do mesmo, que costuma ser o Pároco do lugar. A existência da função de Assistente não se deve só à interação do Agrupamento na comunidade paroquial, mas também à necessidade dum acompanhamento mais especializado e competente nesta área em que, por motivos de vária ordem, os dirigentes não estão suficientemente preparados.

 

3. Documentos do Magistério da Igreja

O Concilio Vaticano II apresenta a Igreja como sacramento universal da salvação, mistério da comunhão, comunhão de comunhões (10). Nesta comunhão insere-se o Escutismo Católico como “Movimento da Igreja Católica para a formação integral da juventude (11). Daqui se depreende que a vida da fé, a vida em comunhão se vive e manifesta em comunidade de fé, culto, caridade e missão, com tudo o que isso implica (12). A Conferência Episcopal Portuguesa chama a atenção dos Movimentos e das Associações Eclesiais para que sejam formas de experiência comunitária e para que estejam orientados para a edificação da Igreja como comunidade de salvação e que procurem harmonizar a sua fisionomia própria com o ritmo e os programas pastorais de cada Igreja partícula (13), ou seja, a Diocese e a Paróquia. No que respeita a cada escuteiro, as normas, melhor, o desejável é que a sua vida pessoal e comunitária seja de profundo conhecimento e de vivência autêntica dos valores cristãos, na comunhão integral que é a Igreja.

 

4. Conclusões Práticas

Qualquer jovem, ao contactar o CNE, deve (ele próprio, ou os seus pais, no caso dos mais novos) saber da especificidade deste movimento. Assim, poderá aderir conscientemente ao seu estilo de vida ou, muito simplesmente, não aceitará os seus princípios e não se comprometerá com algo que não está disposto a levar a sério. Põe-se frequentemente a questão da catequese para os escuteiros: “É necessária? É obrigatória? Pelo que atrás ficou “dito”, seja em relação ao pensamento de Baden-Powell, seja nos princípios da conferência Mundial do Escutismo (nº 2), ou pela nossa condição de Escuteiros Católicos, a resposta apresenta-se-nos óbvia: na vida, necessária e obrigatória, é, antes de mais, a coerência. Se a catequese é para todos os católicos u período de crescimento, de aprofundamento da fé e da vida que leve à opção fundamental, não parece que seja de colocar de lado, “de ânimo leve”. Por outro lado podemo-nos perguntar: “Mas a formação dada no escutismo católico não é suficiente?”. A resposta aparece muito clara nos momentos importantes de crescimento da vida de qualquer cristão: Os Sacramentos e outras celebrações afins, como sejam: a Primeira Comunhão, a profissão de Fé e o Crisma… Nessa altura constatamos que os que não participam na catequese não estão preparados e que é necessária uma caminhada específica, que só pode ser feita na catequese. Não parece que se possa ser verdadeiramente cristão católico sem fazer uma caminhada de crescimento e participação na vida da comunidade e nas suas formas e etapas fundamentais. Porque não existem os tais “católicos não praticantes”. As coisas ou são assumidas, ou há que Ter a humildade da coerência para evitar a hipocrisia e a indefinição. Um dos problemas que se coloca é o da dificuldade em compatibilizar os horários a fim de que só escuteiros possam participar na catequese. Quando existe mesmo o sentido da importância das coisas, consegue-se conciliar tudo. Uma possibilidade será participar na catequese durante a semana. Tudo o que atrás se disse é fruto de uma preocupação que tem vindo a crescer no nosso Agrupamento, com vista a esclarecermos a nossa identidade de Escuteiros Católicos a fim de nos aproximarmos, tanto quanto possível, do que seria o ideal:

  1. Viver o escutismo como uma verdadeira forma de vida e não como um “passatempo”.
  2. Assumir a nossa condição de Escuteiros Católicos, que vivem a fé numa comunidade, que cresceu na mesma fé através da aprendizagem, da formação, da participação, da partilha, da preparação e recepção dos sacramentos, através dum caminho que leve cada um à sua realização integral como pessoa.

 

5. Carta do CNE

“O Corpo Nacional de Escutas – CNE – é o Escutismo Católico Português, movimento de voluntariado e autoeducação de rapazes e raparigas, com o apoio de adultos. Os Escuteiros do CNE querem viver integralmente o Escutismo, como estilo de vida proposto por Baden-Powell, seu fundador, em fraternidade e de forma criativa, à luz de Jesus Cristo e do Evangelho. O CNE privilegia o contacto com a Natureza e promove o respeito do Escuteiro por si próprio e pelos outros. A vida em pequenos grupos e o compromisso pessoal são elementos fundamentais do método escutista que se desenvolve na ação, na responsabilidade de cada um e no serviço aos outros, começando em casa. Na comunidade, o CNE assume a missão de formar, contínua e progressivamente, o Homem-Novo, aquele que, inconformado e humildemente, procura a perfeição como resposta aos desafios da Igreja, da Sociedade e da Família, rumo à Felicidade.

 

(1) BADEN-POWELL, Escutismo Para Rapazes, Edição do Corpo Nacional de Escutas, Lisboa 1993, pág. 256.
(2) Cf. Ibidem.
(3) Cf. S.A., A importância da Religião, in Flor de Lis - Órgão oficial do Corpo Nacional de Escutas, N° , Julho/Agosto de 1993, Pág. 6
(4) Op. Cit., Loc. Cit.
(5) CNE, Pedagogia da Fé no Escutismo, Edição do Corpo Nacional de Escutas, Lisboa, 1991, Pág. 6
(6) CNE Promessa.
(7) Ibidem.
(8) Cf. A A. VV. Manual do Dirigente 1 — Pedagogia do projecto, Edição do CNE, Lisboa, 1993, Pág. 31
(9) Ibidem, Pág.9
(10) Cibidem, pág. 9 f. LG 1 e 2
(11) Formulário da Promessa de Dirigente do CNE
(12) Cf. LG 1,9,48
(13) Cf. Conferência Episcopal Portuguesa, Normas Gerais para a regulamentação das Associações dos Fiéis, Fátima, 1988, 1-4 2